Nosso blog tem por objetivo propiciar um espaço de estudo, interação e discussão de ideias. Apresentaremos aqui um complemento às aulas de Língua Portuguesa por nós ministradas na E. E. Carlos Gomes. O blog pode ser visitado por qualquer pessoa que queira conhecê-lo, pelos colegas professores, pelos pais de alunos e principalmente pelos estudantes. Apresentaremos dicas, links, textos, listas de exercícios e outras informações que considerarmos pertinentes. Sejam todos muito bem-vindos.
Deixem seus comentários, obrigado!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
DEIXEM CHICO BUARQUE EM PAZ!
(Alfredo Werney)
Millôr Fernandes nos disse, com razão, que Chico Buarque é a única unanimidade nacional. Do mais desinformado apreciador de música popular aos especialistas acadêmicos, o compositor carioca conquistou (diga-se, de modo meritocrático e não meramente por questões midiáticas) um enorme respeito e simpatia.
A música de Chico, embora composta com certo rebuscamento melódico e harmônico, soa-nos como algo familiar. Uma sonoridade que parece fazer parte do nosso cotidiano. As letras buarqueanas, conquanto sejam construídas com um rigor e uma coerência estilística exemplares, são, em sua maioria, claras e comunicativas. Quem não seria capaz de entender “A banda”, “A Rita”, “Meu caro amigo”, “Meu refrão”, além de outras?
Diante de tudo isso, há algo que, sinceramente, tem me irritado em demasia: Por que tanta literatura? Por que tanta teoria? Por que tanta sociologia? Será impossível ouvir uma canção de Chico pelo simples prazer estético? É possível que ouçamos suas músicas sem se “empanturrar” de teorias semióticas, sociológicas, linguísticas, sociolinguísticas e sem procurar, antes mesmo do primeiro acorde do violão, engessá-lo em categorias?
E há tantas categorias como estrelas no céu: “O Chico político”, “O Chico revelador da alma feminina”, “O Chico poeta”, “O Chico do futebol”, “O Chico das múltiplas vozes dramáticas”, “O Chico malandro”, “O Chico trovador”, dentre outras. Mais parece que sua obra é um bolo confeitado para um aniversário de criança (perdoem-me a comparação de mau gosto): todo mundo quer o seu pedaço. E, assim, fatiamos uma obra que é rica exatamente porque coesa e possuidora de uma rigorosa unidade estilística.
Antes de qualquer coisa, Francisco Buarque de Hollanda é um compositor de sambas e canções populares. Não pretendo dizer que sua obra musical não tenha substrato para tantas análises. É evidente que o trabalho do artista carioca possui material para os mais diversos tipos de analistas. Mas por que a maioria deles nunca fala do “sabor” de uma canção buarqueana, do prazer de escutar um de seus sambas? Será que devemos sempre suplantar o prazer estético para que possamos analisar a obra de um artista?
Já tive a oportunidade de ler diversos trabalhos (dentre estes: teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos, ensaios, crônicas, etc) sobre Chico Buarque. Alguns deles me ajudaram, de fato, a compreender melhor as suas composições e mesmo a cultura brasileira. Confesso, entretanto, que a maior parte não me serviu de nada. O que pude observar é que, na maioria desses estudos (digo aqueles mais acadêmicos e extensos), encontramos centenas de páginas para discutir apenas uma determinada teoria. Quando chega o momento de abordar a obra de Chico, restam-nos apenas seis ou sete míseras páginas.
Às vezes, chego a duvidar que alguns desses críticos e estudiosos sequer tenham ouvido a obra do cantor de “A banda” com atenção e com o espírito liberto de tantos (pré) conceitos. Poucos escutaram Buarque “com açúcar e com afeto”. Mas para que gastar tempo apreciando canções? O que importa, para muitos, é o “embasamento teórico” – esta expressão enfadonha que nos faz lembrar aqueles estudantes medíocres elaborando projetos, às pressas, para se livrarem das disciplinas da universidade. É cada vez menor o número de textos escritos com beleza, paixão e que sejam também reveladores e esclarecedores. Cada vez é mais raro encontrarmos um Ruy Castro, um Fernando de Barros e Silva, um Luiz Felipe Pondé.
Espero, com tais argumentos, não causar nenhum mal entendido. Sei que é de grande valor o estudo e a análise da música popular. As teorias também são basilares: dão-nos um chão mais firme para caminharmos. Porém, a meu ver, as análises são uma etapa ulterior. É inadmissível que – antes mesmo da primeira batida do tamborim e do primeiro chacoalho do pandeiro – desenterremos os Karl Marx, os Greimas, os Freud, os Bakhtin. Claro está que estes e outros grandes pensadores nada têm a ver com o uso inadequado de suas teorias. Seria inútil dizer que eles são fundamentais para quem deseja compreender o mundo.
Nelson Rodrigues tinha razão (aliás, ele sempre teve) quando dizia que “o gênio tem, por vezes, a nostalgia do imbecil”. Muitas vezes precisamos nos tornar “burros” para entendermos as coisas de uma forma mais substancial. Ou melhor: precisamos delegar à inteligência um papel menos importante e deixar que as coisas passem primeiramente (e principalmente) pelos nossos sentidos. Os bons poetas – em especial Alberto Caeiro, Rimbaud, Baudelaire, Verlaine e Cruz e Sousa – realizam essa tarefa de maneira muito especial ao criarem seus poemas.
Talvez Chico Buarque, pelo o pouco que conhecemos de sua personalidade, fique muito mais satisfeito ao subir o morro e ver as donas de casa, os malandros e a meninada entoando uma de suas canções do que se deparar com um acadêmico (falo apenas daqueles chatos e não de todos) se debruçando horas a fio para analisar sua obra musical. Vejo que as duas experiências são válidas, contudo, a primeira (a escuta descompromissada e apaixonada) não recebe a devida atenção. Se bem observarmos, como diria o próprio Francisco: “Tem mais samba nas mãos do que nos olhos”, “Tem mais samba no chão do que na lua”.
Uma vez perguntei, com certa dose de ironia, a um professor do curso de Música – após uma cansativa análise harmônica de uma peça musical erudita: “O senhor gostou da música?”. Ele trovejou: “O analista não precisa gostar da música. Essa não é minha função. Pouco importa para a análise se gostamos ou não da peça”. Lembro que, naquela ocasião, fiquei desconcertado com a resposta que me fora dada. E percebi que na aula daquele “educador de mármore” era quase proibido gostar do objeto analisado.
Precisamos, muitas vezes, “fechar os olhos para ver”, escreveu o fabuloso Mário Quintana em um de seus poemas. As leituras constantes e a explosão de informações que recebemos dia a dia nos tornam pessoas cegas e surdas. Retiram a dimensão poética e dionisíaca do conhecimento. Ficamos desapaixonados pelo mundo. Já não conseguimos mais ouvir música, porque simplesmente estamos entupidos de informações que vazam pelos nossos olhos e ouvidos. Acredito que, em diversas ocasiões, “pensar é não compreender” (como já foi dito por Alberto Caeiro).
De quando em vez, nos momentos de descontração em casa com os amigos ou em um bar próximo, coloco Chico Buarque para ouvir. Vez por outra, chega alguém até a mim para discutir a “sociologia da mulher”, “a ditadura militar e a canção de protesto”, “as construções sintagmáticas dos versos buarqueanos”, “a cadência harmônica dos acordes dissonantes”, etc. Nestas ocasiões, esbravejo com a resposta na ponta da língua (mas sem perder totalmente a elegância): - Deixem Chico Buarque em paz!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
FIGURAS DE LINGUAGEM - CAFÉ COM POESIA
FIGURAS DE LINGUAGEM
É importante saber perceber que há algo de diferente na linguagem, na construção dos textos literários. Sejam eles poemas ou textos em prosa. Os escritores utilizam recursos estilísticos para dar maior expressividade, qualidade estética e complexidade aos textos. Esses recursos são chamados de figuras de linguagem. As figuras podem ser de reorganização sintática, de som ou de pensamento.
Agora, no momento de preparação para as apresentações do Café com Poesia, faz-se necessário estudar as figuras de linguagem para conseguir analisar os textos que serão apresentados. Portanto, deixo, aqui, uma explicação sucinta. Que sirva de ponto de partida para o aprofundamento dos estudos sobre esse tema, para o melhor entendimento dos textos literários e que estimule a leitura prazerosa desse tipo de texto.
Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, além de auxiliar a compreender melhor os textos literários, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao significado simbólico das palavras e dos textos.
Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.
METÁFORA
É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma comparação subentendida.
Exemplo:
Essa turma de alunos do Carlos Gomes é fera.
Minha boca é um túmulo.
Essa rua é um verdadeiro deserto.
COMPARAÇÃO
Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança.
Exemplo:
O meu coração está igual a um céu cinzento.
O carro dele é rápido como um avião.
PROSOPOPEIA
É uma figura de linguagem que atribui características humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la de PERSONIFICAÇÃO.
Exemplo:
O céu está mostrando sua face mais bela.
O cão mostrou grande sisudez.
SINESTESIA
Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.
Exemplo:
Raquel tem um olhar frio, desesperador.
Aquela criança tem um olhar tão doce.
CATACRESE
É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.
Exemplo:
O menino quebrou o braço da cadeira.
A manga da camisa rasgou.
METONÍMIA
É a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos:
- O autor pela obra.
Exemplo:
Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)
- o continente pelo conteúdo.
Exemplo:
O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo os torcedores)
- a parte pelo todo.
Exemplo:
Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui casa)
- o efeito pela causa.
Exemplo:
Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui o trabalho)
PERÍFRASE
É a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
Exemplo:
A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)
A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro)
ANTÍTESE
Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
Exemplo:
Nada com Deus é tudo.
Tudo sem Deus é nada.
EUFEMISMO
Consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.
Exemplo:
Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu = morrer)
Os homens públicos envergonham o povo. (homens públicos = políticos)
HIPÉRBOLE
É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva a ideia.
Exemplo:
Ela chorou rios de lágrimas.
Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.
IRONIA
Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.
Exemplo:
Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Se você gritar mais alto, eu agradeço.
ONOMATOPEIA
Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.
Exemplo:
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.
ALITERAÇÃO
Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.
Exemplo:
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
ELIPSE
Consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.
Exemplo:
Após a queda, nenhuma fratura.
ZEUGMA
Consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.
Exemplo:
Ele come carne, eu verduras.
PLEONASMO
Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.
Exemplo:
Nós cantamos um canto glorioso.
POLISSÍNDETO
É a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.
Exemplo:
Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.
ASSÍNDETO
Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.
Exemplo:
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.
ANACOLUTO
Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.
Exemplo:
Ele, nada podia assustá-lo.
Nota: o anacoluto ocorre com freqüência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente.
ANÁFORA
Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.
Exemplo:
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)
SILEPSE
Ocorre quando a concordância é realizada com a ideia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.
De gênero.
Exemplo:
Vossa excelência está preocupado com as notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não com o sujeito).
De número.
Exemplo:
A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a idéia de plural da palavra boiada).
De pessoa
Exemplo:
As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os participantes de um sujeito em 3ª pessoa).
SÍNTESE
As figuras de linguagem são recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.
Metáfora é o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhança.
Comparação é uma atribuição de característica de um ser a outro em virtude de uma determinada semelhança.
Prosopopeia atribui características humanas a seres inanimados.
Sinestesia consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.
Catacrese é uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos, ou seja, é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.
Metonímia é a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca.
Perífrase é a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
Antítese consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
Eufemismo consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.
Hipérbole é um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva à idéia.
Ironia consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.
Onomatopeia consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.
Aliteração consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.
Elipse consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.
Zeugma consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.
Pleonasmo consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.
Polissíndeto é a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.
Assíndeto ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.
Anacoluto consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.
Anáfora consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.
Silepse ocorre quando a concordância é realizada com a ideia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.
José – Carlos Drummond de Andrade
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua bilbioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho do mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Análise:
O poema José mostra-se com uma visão pessimista do cotidiano. Seu tema central é a solidão do homem, sua falta de espaço; revela uma profunda angústia pela vida.
Inicialmente, observamos que a alegria e a felicidade já existiram, mas agora, “a festa acabou”. Em seu lugar ficou a escuridão, o frio, o abandono: José está só.
“E agora, José? A festa acabou” (A alegria se foi… situação de perda), “a luz apagou” (escuridão, trevas), “o povo sumiu” (solidão, abandono), “a noite esfriou” (noite e frio não só no ambiente físico, mas também na alma, na vida de José.]
As interpelações, cada vez mais repetidas, ganham maior intensidade e significação, pois reforçam a situação do homem que já não tem ambiente.
“José” é a metonímia do próprio autor e/ou de um povo, cuja situação é repetida dia a dia, pois não há destino certo: na escuridão, sem amigo e sem abrigo. O poema José é simbolo de uma época de massificação, de uma “época de objetos e não de sujeitos”. (Sant’anna).
“José” é um heterônimo do autor. É capaz de amar, de ser irônico, pois , “zomba dos outros”, faz versos, mas que ironia: é desconhecido; vive no anonimato; “José” não tem sobrenome, não se sabe de onde veio nem para onde vai. “Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta?” Apesar do anonimato José não é um alienado; ele ama, é irônico, escreve e protesta. Ele não é indiferente aos acontecimentos sociais. Seu anonimato e solidão não são opcionais foram-lhe impostos. Não foi José quem acabou com a festa, apagou a luz, ele não escolheu o anonimato, uma vez que faz versos e protesta, não se recolheu para amargar a solidão: foi o povo que sumiu.
“José” é carente de tudo: “está sem mulher”, “está sem carinho”. Diante do abandono, sem mulher, sem carinho, José não encontra nem palavras: “está sem discurso”. A sua situação só se agrava, ele não pode recorrer nem a um paliativo, realizando uma fuga através do cigarro e da bebida: ele não pode refugiar-se na bebida ou em qualquer vício.
É muito significativa a colocação dos verbos em face às coisas da vida. Até suas esperanças frustraram-se, pois, “o dia não veio”, a vinda de um novo dia significa novas oportunidades, mas para José ele não veio. O bonde e o riso não vieram; nem mesmo de mentiras ou de ilusões ele pode viver. O autor passa um sentimento de quem perdeu a hora certa de agir, de lutar: “tudo mofou” “acabou”, “fugiu”., não há esperança de recuperação, apenas um vazio de tudo. Tudo é rotina e monotonia. Não pôde realizar-se como pessoa humana, pois está só; ele se expressou através de seus versos e protestos mas quando percebe “tudo acabou”, tudo fugiu”, tudo mofou”. “E agora, José?” ,
Encerrando em si antíteses, José é marcado por sentimentos opostos, conflitos que não conduzem à solução. É uma pessoa apegada às coisas materiais, representadas aqui pelas palavras “gula, (alimento) lavra de ouro, (riqueza) biblioteca (conhecimento)”, mas que tem incoerências, e apresenta grande fragilidade e vulnerabilidade: representadas por seu terno de vidro.
“José” sente-se impossibilitado de agir. Tudo lhe parece inútil e desprovido de significado. “Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta;” Frente à sua frustração e desesperança, José quer morrer no mar, mas nem isso lhe é permitido porque não existe mar no qual possa morrer. Sente-se encurralado, não pode nem morrer. Quer voltar para Minas que é seu ponto de equilíbrio, “Minas não há mais”, ou seja, Minas dos seus sonhos, da sua infância mudou e José também.
Mas José deveria reagir, manifestar-se. Deveria gritar, gemer, cansar, dormir, morrer, mas não morre. José é duro na queda. Feito de ferro, talvez o mesmo ferro que nutre Itabira, terra do autor. José assume uma extrema passividade.
Totalmente acuado, “sozinho no escuro qual bicho-do-mato” a ele resta a solidão e o abandono, já que José não tem nem a fé religiosa para se refugiar “sem teogonia”. Não tem onde se apoiar “sem parede nua para se encostar” Também não tem recursos para fugir “sem cavalo preto que fuja a galope,” sem destino ele ainda assim não pára continua sua marcha sem rumo. “Você marcha José! José, para onde?
José é um poema de desencontros, marcado por um profundo ceticismo. O homem não encontra a si mesmo. Perdeu-se. Está encurralado, num verdadeiro beco sem saída. Sem qualquer direção ele prossegue: para onde, José?
O poema de Carlos Drumond de Andrade aplica-se aos milhares de “Josés” que transitam pela vida sem serem notados, ouvidos ou vistos. Aos “Josés” condenados pela sociedade à solidão e ao anonimato, que não tiveram nenhuma oportunidade de se realizar como homem. Que gritam, protestam, amam, mas têm seu grito sufocado pela indiferença, seu protesto ignorado e seu amor não correspondido, mas que continuam se arrastando pela vida sem saber onde vão chegar.
fonte:
Publicado por: Mariana Treska, em 18 outubro, 2012
http://www.poemasepensamentos.com.br/2012/10/analise-do-poema-jose-carlos-drummond-de-andrade/
Análise realizada em cumprimento às exigências da disciplina – Literatura Brasileira – Prof. Carlos Lacerda na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Caratinga – FAFIC
Carlos Drummond de Andrade - Café com Poesia
Encontrei um material riquíssimo sobre Drummond
http://www.projetomemoria.art.br/drummond/downloads/exposicao/ExposicaoCarlosDrummondSite.pdf
Aproveitem e boa leitura
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Emprego das Letras S e Z
Emprega-se o S:
1) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam s no radical
Exemplos:
análise- analisar catálise- catalisador
casa- casinha, casebre liso- alisar
2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, título ou origem
Exemplos:
burguês- burguesa inglês- inglesa
chinês- chinesa milanês- milanesa
3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e -osa
Exemplos:
catarinense gostoso- gostosa amoroso- amorosa
palmeirense gasoso- gasosa teimoso- teimosa
4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -osa
Exemplos:
catequese, diocese, poetisa, profetisa, sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose
5) Após ditongos
Exemplos:
coisa, pouso, lousa, náusea
6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em seus derivados
Exemplos:
pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse, puséssemos
quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, quiséssemos
repus, repusera, repusesse, repuséssemos
7) Nos seguintes nomes próprios personativos:
Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás
8) Nos seguintes vocábulos:
abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa, cortesia, decisão,despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena, mesada, paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio, querosene, raposa, surpresa, tesoura, usura, vaso, vigésimo, visita, etc.
Emprega-se o S:
1) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam s no radical
Exemplos:
análise- analisar catálise- catalisador
casa- casinha, casebre liso- alisar
2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, título ou origem
Exemplos:
burguês- burguesa inglês- inglesa
chinês- chinesa milanês- milanesa
3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e -osa
Exemplos:
catarinense gostoso- gostosa amoroso- amorosa
palmeirense gasoso- gasosa teimoso- teimosa
4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -osa
Exemplos:
catequese, diocese, poetisa, profetisa, sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose
5) Após ditongos
Exemplos:
coisa, pouso, lousa, náusea
6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em seus derivados
Exemplos:
pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse, puséssemos
quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, quiséssemos
repus, repusera, repusesse, repuséssemos
7) Nos seguintes nomes próprios personativos:
Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás
8) Nos seguintes vocábulos:
abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa, cortesia, decisão,despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena, mesada, paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio, querosene, raposa, surpresa, tesoura, usura, vaso, vigésimo, visita, etc.
terça-feira, 23 de abril de 2013
poemas en español
Poemas de Mario Benedetti
Amor de tarde
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cuatro
y acabo la planilla y pienso diez minutos
y estiro las piernas como todas las tardes
y hago así con los hombros para aflojar la espalda
y me doblo los dedos y les saco mentiras.
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cinco
y soy una manija que calcula intereses
o dos manos que saltan sobre cuarenta teclas
o un oído que escucha como ladra el teléfono
o un tipo que hace números y les saca verdades.
Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las seis.
Podrías acercarte de sorpresa
y decirme "¿Qué tal?" y quedaríamos
yo con la mancha roja de tus labios
tú con el tizne azul de mi carbónico.
Fuego mudo
A veces el silencio
convoca algarabías
parodias de coraje
espejismos de duende
tangos a contrapelo
desconsoladas rabias
pregones de la muerte
sed y hambre de vos
pero otras veces es
solamente silencio
soledad como un roble
desierto sin oasis
nave desarbolada
tristeza que gotea
alrededor de escombros
fuego mudo
Material sobre Chico Buarque
Chico Buarque- Café com Poesia
Roda Viva
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...(4x)
.........................................................................................................
Tatuagem
Chico Buarque
Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também pra me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...
Material sobre Carlos Drummond de Andrade
Material completo sobre Drummond para realizar todas as etapas da pesquisa de preparação para as apresentações do Café com Poesia.
http://www.jornaldepoesia.jor.br/drumm.html
Chico Buarque - Café com Poesia
verso, estrofe, refrão, rima, ritmo, métrica, aliteração, metáfora, metonímia...arquitetura poética, jogo verbal, imagem, som e pensamento por meio da palavra.
Pedro Pedreiro
Chico Buarque
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol, esperando o trem
Esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval
E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
Espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá
O desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás
Quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol, esperando o trem
Esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte
Esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Aos alunos do Carlos Gomes e a quem interessar possa
Esse texto reflete sobre quase tudo que temos discutido nas aulas nos 1ºs anos. Leiam e releiam. Lembram do tema sobre os jovens?
Produção de sentido
O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido Igrejas, movimentos sociais e organizações políticas
23/04/2013
Frei Betto
Muitos pais se queixam do desinteresse dos filhos por causas altruístas, solidárias, sustentáveis. Guardam a impressão de que parcela considerável da juventude busca apenas riqueza, beleza e poder. Já não se espelha em líderes voltados às causas sociais, ao ideal de um mundo melhor, como Gandhi, Luther King, Che Guevara e Mandela.
O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido Igrejas, movimentos sociais e organizações políticas.
A Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II, suscitava militantes, imbuídos de fé e idealismo, por meio da Ação Católica e da Pastoral de Juventude. Queríamos ser homens e mulheres novos. E criar uma nova sociedade, fundada na ética pessoal e na justiça social.
Os movimentos sociais, como a alfabetização pelo método Paulo Freire, nos desacomodavam, impeliam-nos ao encontro das camadas mais pobres da população, educavam a nossa sensibilidade para a dor alheia causada por estruturas injustas.
As organizações políticas, quase todas clandestinas sob a ditadura, incutiam-nos consciência crítica, e certo espírito heroico que nos destemia frente aos riscos de combater o regime militar e a ingerência do imperialismo usamericano na América Latina.
Quais são, hoje, as instituições produtoras de sentido? Onde adquirir uma visão de mundo que destoe dessa mundividência neoliberal centrada no monoteísmo do mercado? Por que a arte é encarada como mera mercadoria, seja na produção ou no consumo, e não como criação capaz de suscitar em nossa subjetividade valores éticos, perspectiva crítica e apetite estético?
As novas tecnologias de comunicação provocam a explosão de redes sociais que, de fato, são virtuais. E esgarçam as redes verdadeiramente sociais, como sindicatos, grêmios, associações, grupos políticos, que aproximavam as pessoas fisicamente, incutiam cumplicidade e as congregavam em diferentes modalidades de militância.
Agora, a troca de informações e opiniões supera o intercâmbio de formação e as propostas de mobilização. Os megarrelatos estão em crise, e há pouco interesse pelas fontes de pensamento crítico, como o marxismo e a teologia da libertação.
No entanto, como se dizia outrora, nunca as condições objetivas foram tão favoráveis para operar mudanças estruturais. O capitalismo está em crise, a desigualdade social no mundo é alarmante, os povos árabes se rebelam, a Europa se defronta com 25 milhões de desempregados, enquanto na América Latina cresce o número de governos progressistas, emancipados das garras do Tio Sam e suficientemente independentes, a ponto de eleger Cuba para presidir a Celac (Comunidade do Estados Latino-Americanos e Caribenhos).
Vigora atualmente um descompasso entre o que se vê e o que se quer. Há uma multidão de jovens que deseja apenas um lugar ao sol sem, contudo, se dar conta das espessas sombras que lhes fecham o horizonte.
Quando não se quer mudar o mundo, privatiza-se o sonho modificando o cabelo, a roupa, a aparência. Quando não se ousa pichar muros, faz-se tatuagem para marcar no corpo sua escala de valores. Quando não se injeta utopia na veia, corre-se o risco de injetar drogas.
Não fomos criados para ser carneiros em um imenso rebanho retido no curral do mercado. Fomos criados para ser protagonistas, inventores, criadores e revolucionários.
Quando Hércules haverá de arrebentar as correntes de Prometeu e evitar que o consumismo prossiga lhe comendo o fígado? "Prometeu fez com que esperanças cegas vivam nos corações dos homens”, escreveu Ésquilo. De onde beber esperanças lúcidas se as fontes de sentido parecem ressecadas?
Parecem, mas não desaparecem. As fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis.
Frei Betto é escritor, autor do romance "Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.http://www.freibetto.org- twitter: @freibetto.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Oswald participa como um dos principais representantes, ao lado de Mário de Andrade, da Semana de Arte Moderna de 1922



Semana de Arte Moderna
Com o objetivo de discutir a identidade nacional, compreender a cultura brasileira e os rumos das artes, artistas e intelectuais organizaram nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna - marco do movimento modernista no Brasil.
O evento, que também envolveu representantes de outros segmentos da sociedade -políticos, educadores, empresários e trabalhadores-, acabou trazendo à tona discussões sobre os rumos da nação, propostas de reforma da Constituição de 1891 e até da sociedade.
Na época, a Europa ocupava uma posição de vanguarda e, sob essa influência, teve início a discussão de uma nova identidade artística para o país.
A semana começou com uma conferência do escritor Graça Aranha, intitulada "A emoção estética da arte moderna", e contou com diversas outras participações de escritores, pintores, escultores e músicos, a exemplo de Mário de Andrade, Oswald Andrade, Menotti Del Picchia, Luís Aranha, Sérgio Buarque de Holanda, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vitor Brecheret, Wilhelm Haerberg e Heitor Villa-Lobos.
Houve vaias e críticas, especialmente dos defensores do academicismo, mas o saldo foi a entrada do Brasil na modernidade.
Embora o movimento modernista não se resuma à Semana de Arte Moderna ou a São Paulo, foi esse evento que disseminou as idéias que expressavam os tempos modernos - o arrojo, o dinamismo e a simplicidade na comunicação.
O evento fez mais: denunciou a alienação das camadas cultas em relação à realidade do país e criticou as desigualdades sociais -assuntos que, mesmo um século mais tarde, permanecem atuais no Brasil.
Oswald de Andrade
José Oswald de Souza Andrade era de família abastada. Ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (São Paulo) em 1909. (Só se formaria em 1919, quando seria o orador da turma.)
Publicou seus primeiros trabalhos em "O Pirralho", semanário paulista de crítica e humor, que ele mesmo fundou em 1911.
Em 1912, viajou para Paris, onde, convivendo com a boemia estudantil, entrou em contato com o futurismo e conheceu Kamiá, mãe de Nonê, seu primeiro filho, nascido em 1914.
De volta a São Paulo, continuou no jornalismo literário. Em 1917, passou a viver com Maria de Lourdes Olzani (a Deise).
Defendeu a pintora Anita Malfatti de uma crítica devastadora de Monteiro Lobato e fundou o jornal "Papel e Tinta". Em seguida, ao lado de Anita, de Mário de Andrade e de outros intelectuais, organizou a Semana de Arte Moderna de 22.
Pelo espírito irreverente e combativo, nenhum outro escritor do modernismo ficou mais conhecido que Oswald. Sua atuação é considerada fundamental na cultura brasileira da primeira metade do século 20.
Publicou "Os Condenados" e "Memórias de João Miramar". Em 1924, iniciou o movimento Pau-Brasil, juntando o nacionalismo às idéias estéticas da Semana de 22. Em 1926, casou com a pintora Tarsila do Amaral, e os dois se tornaram a dupla mais importante das artes brasileiras (Mário de Andrade os apelidou de "Tarsiwald").
Oswald escreveu o "Manifesto Antropofágico", em que propôs que o Brasil devorasse a cultura estrangeira e criasse uma cultura revolucionária própria. Assim fariam Mário de Andrade em "Macunaíma" (1928) e Raul Bopp em "Cobra Norato" (1931).
Com a crise de 29, Oswald teve as finanças abaladas e sofreu uma reviravolta na vida. Rompeu com Mário, separou-se de Tarsila e casou com a escritora e militante política Patrícia Galvão (a Pagu). Da união nasceria Rudá, seu segundo filho.
Filiou-se ao PCB após a revolução de 1930 (romperia com o partido em 1945, embora continuasse sendo de esquerda). Em 1931, quando dirigia o jornal "O Homem do Povo", foi várias vezes detido.
Em 1936, após ter-se separado de Pagu, casou com a poetisa Julieta Bárbara. Em 1944, outro casamento, agora com Maria Antonieta D'Alkmin, com quem permaneceria até o fim da vida.
Além de poemas, já lançara o romance "Serafim Ponte Grande" (1933) e as peças "O Homem e o Cavalo" (1934) e "O Rei da Vela" (1937).
Em 1939, na Suécia, representou o Brasil num congresso do Pen Club (a entidade internacional que congrega os literatos dos diversos países). Prestou concurso para a cadeira de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP com a tese "A Arcádia e a Inconfidência" e, em 1945, obteve o título de livre-docente.
Oswald morreu aos 64 anos. Sua poesia seria precursora de dois movimentos distintos que marcariam a cultura brasileira na década de 1960: o concretismo e o tropicalismo.
Semana de Arte Moderna
Com o objetivo de discutir a identidade nacional, compreender a cultura brasileira e os rumos das artes, artistas e intelectuais organizaram nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna - marco do movimento modernista no Brasil.
O evento, que também envolveu representantes de outros segmentos da sociedade -políticos, educadores, empresários e trabalhadores-, acabou trazendo à tona discussões sobre os rumos da nação, propostas de reforma da Constituição de 1891 e até da sociedade.
Na época, a Europa ocupava uma posição de vanguarda e, sob essa influência, teve início a discussão de uma nova identidade artística para o país.
A semana começou com uma conferência do escritor Graça Aranha, intitulada "A emoção estética da arte moderna", e contou com diversas outras participações de escritores, pintores, escultores e músicos, a exemplo de Mário de Andrade, Oswald Andrade, Menotti Del Picchia, Luís Aranha, Sérgio Buarque de Holanda, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vitor Brecheret, Wilhelm Haerberg e Heitor Villa-Lobos.
Houve vaias e críticas, especialmente dos defensores do academicismo, mas o saldo foi a entrada do Brasil na modernidade.
Embora o movimento modernista não se resuma à Semana de Arte Moderna ou a São Paulo, foi esse evento que disseminou as idéias que expressavam os tempos modernos - o arrojo, o dinamismo e a simplicidade na comunicação.
O evento fez mais: denunciou a alienação das camadas cultas em relação à realidade do país e criticou as desigualdades sociais -assuntos que, mesmo um século mais tarde, permanecem atuais no Brasil.
José Oswald de Souza Andrade era de família abastada. Ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (São Paulo) em 1909. (Só se formaria em 1919, quando seria o orador da turma.)
Publicou seus primeiros trabalhos em "O Pirralho", semanário paulista de crítica e humor, que ele mesmo fundou em 1911.
Em 1912, viajou para Paris, onde, convivendo com a boemia estudantil, entrou em contato com o futurismo e conheceu Kamiá, mãe de Nonê, seu primeiro filho, nascido em 1914.
De volta a São Paulo, continuou no jornalismo literário. Em 1917, passou a viver com Maria de Lourdes Olzani (a Deise).
Defendeu a pintora Anita Malfatti de uma crítica devastadora de Monteiro Lobato e fundou o jornal "Papel e Tinta". Em seguida, ao lado de Anita, de Mário de Andrade e de outros intelectuais, organizou a Semana de Arte Moderna de 22.
Pelo espírito irreverente e combativo, nenhum outro escritor do modernismo ficou mais conhecido que Oswald. Sua atuação é considerada fundamental na cultura brasileira da primeira metade do século 20.
Publicou "Os Condenados" e "Memórias de João Miramar". Em 1924, iniciou o movimento Pau-Brasil, juntando o nacionalismo às idéias estéticas da Semana de 22. Em 1926, casou com a pintora Tarsila do Amaral, e os dois se tornaram a dupla mais importante das artes brasileiras (Mário de Andrade os apelidou de "Tarsiwald").
Oswald escreveu o "Manifesto Antropofágico", em que propôs que o Brasil devorasse a cultura estrangeira e criasse uma cultura revolucionária própria. Assim fariam Mário de Andrade em "Macunaíma" (1928) e Raul Bopp em "Cobra Norato" (1931).
Com a crise de 29, Oswald teve as finanças abaladas e sofreu uma reviravolta na vida. Rompeu com Mário, separou-se de Tarsila e casou com a escritora e militante política Patrícia Galvão (a Pagu). Da união nasceria Rudá, seu segundo filho.
Filiou-se ao PCB após a revolução de 1930 (romperia com o partido em 1945, embora continuasse sendo de esquerda). Em 1931, quando dirigia o jornal "O Homem do Povo", foi várias vezes detido.
Em 1936, após ter-se separado de Pagu, casou com a poetisa Julieta Bárbara. Em 1944, outro casamento, agora com Maria Antonieta D'Alkmin, com quem permaneceria até o fim da vida.
Além de poemas, já lançara o romance "Serafim Ponte Grande" (1933) e as peças "O Homem e o Cavalo" (1934) e "O Rei da Vela" (1937).
Em 1939, na Suécia, representou o Brasil num congresso do Pen Club (a entidade internacional que congrega os literatos dos diversos países). Prestou concurso para a cadeira de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP com a tese "A Arcádia e a Inconfidência" e, em 1945, obteve o título de livre-docente.
Oswald morreu aos 64 anos. Sua poesia seria precursora de dois movimentos distintos que marcariam a cultura brasileira na década de 1960: o concretismo e o tropicalismo.
7ªD
Vídeo sobre Oswald de Andrade
Este documentário produzido através do projeto-programa "De Lá Pra Cá" oferece uma bela apresentação sobre a vida e a obra do Poeta e Modernista brasileiro, Oswald de Andrade. Esse poeta possui uma forte presença na Semana de Arte Moderna de São Paulo e produziu excelentes obras sobre a Identidade do Brasil, resgatando e valorizando o mais simples como o Português Popular , entre outras coisas do nosso Brasil.
*Fonte do Vídeo: Canal tvbrasil.
**Editado por André Bispo através do Editor de Vídeos do YouTube.
Site do Projeto "De Lá pra Cá": http://tvbrasil.org.br/delapraca/
Vídeo sobre Oswald de Andrade
Este documentário produzido através do projeto-programa "De Lá Pra Cá" oferece uma bela apresentação sobre a vida e a obra do Poeta e Modernista brasileiro, Oswald de Andrade. Esse poeta possui uma forte presença na Semana de Arte Moderna de São Paulo e produziu excelentes obras sobre a Identidade do Brasil, resgatando e valorizando o mais simples como o Português Popular , entre outras coisas do nosso Brasil.
*Fonte do Vídeo: Canal tvbrasil.
**Editado por André Bispo através do Editor de Vídeos do YouTube.
Site do Projeto "De Lá pra Cá": http://tvbrasil.org.br/delapraca/
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