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segunda-feira, 25 de março de 2013

Existe um banco de redações no site http://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/ que é excelente para treinar a redação de um texto dissertativo. São apresentados temas atuais, critérios de correção e textos corrigidos com comentários. Abaixo segue um texto corrigido e comentado. Vou mostrar exemplos de textos mal redigidos e de textos que tiraram nota máxima para que vocês os compare e estudem a partir dos exemplos e das dicas.

Tema:

PROPOSTA DE FEVEREIRO DE 2013

Como se tornar um consumidor consciente? Isso é possível?
Consumir: já faz tempo que, nos mais diferentes espaços do planeta, esse verbo tem sido associado à busca da felicidade. No Brasil não é diferente. A mídia vende sonhos e cria indivíduos consumistas, com um marketing feroz voltado para as mais diferentes idades. Isso se traduz não apenas na propaganda propriamente dita, mas até na estrutura e organização das lojas, estrategicamente planejadas para induzir ao consumo. Ter (principalmente produtos de marcas consagradas) pode criar a sensação de status e de pertencimento a um grupo mais desenvolvido. Juntamente com os produtos, adquire-se a ilusão de felicidade. Para completar, os bancos oferecem crédito a jovens ainda sem uma consciência financeira e o índice de pessoas endividadas cresce cada vez mais. É possível escapar dessas armadilhas da sociedade de consumo? Como romper esse círculo vicioso? Como preparar, especialmente o jovem, para se tornar um consumidor mais consciente?

ELABORE UMA DISSERTAÇÃO CONSIDERANDO AS IDEIAS A SEGUIR:



A criança e o consumo
Saber diferenciar o 'eu quero' do 'eu preciso'. É esse um dos pontos cruciais para que o consumismo infantil não crie adultos financeiramente desequilibrados. A opinião é das especialistas Cássia D’ Aquino e Maria Tereza Maldonado, autoras do livro “Educar para o Consumo”.
De fato, o consumo está cada vez mais presente na vida das crianças. Mesmo as de pouca idade, já conhecem marcas e sabem pedir aos seus pais exatamente o que querem. Um estudo realizado no Reino Unido há alguns anos mostrou que, na época, as crianças britânicas de 10 anos conheciam de 300 a 400 marcas famosas, mais de 20 vezes o número de espécies de aves de que sabiam o nome.
“Até pouco tempo atrás, a idade média em que uma criança pedia para que o pai comprasse algo era dois anos e oito meses. Hoje já é dois anos e três meses e isso vai cair ainda mais, rapidamente. Os modelos de família que temos hoje priorizam o consumo. Nos finais de semana, os pais levam as crianças ao shopping para comprar, em vez de passear, brincar, passar o tempo com os filhos”, pontua Cássia D´Aquino.
Conhecedoras do mercado, elas são capazes de influenciar os hábitos de consumo de sua família. De acordo com a pesquisa “O Poder da Influência da Criança nas Decisões de Compra da Família”, realizada pela Viacom em 11 países do mundo, entre eles o Brasil, 51% dos pais tomam a decisão de uma compra depois de ouvir a opinião dos filhos, enquanto 49% afirmam que decidem juntos com as crianças.
Mesmo quando o produto é para os pais, a opinião dos filhos é levada a sério. Na categoria automóvel, por exemplo, 60% dos pais dizem que foram influenciados pelos filhos. No entanto, mais do que ouvir a opinião das crianças, é importante que os pais aproveitem esses momentos para educar financeiramente.
[UOL Notícias Economia]
Impulsividade e falta de consciência
Soma e subtração. Cheque especial, cartão de crédito, contas para pagar ao fim do mês e uma conta bancária no vermelho. Essa situação é a realidade de 70% dos jovens que iniciam suas carreiras.
Endividados, os novos funcionários do mercado de trabalho acabam prejudicando o próprio desenvolvimento profissional por conta da falta de saúde financeira, é o que revela o educador de finanças, Reinaldo Domingos.
Segundo ele, a falta de dinheiro pode causar problemas como o absenteísmo (ausências) e a desatenção no trabalho, gerando dificuldades de ordem pessoal e profissional, como aumento de empréstimos consignados, baixa autoestima, aumento de acidentes de trabalho, além de abalar a qualidade de vida familiar do colaborador.
Isso acontece por três motivos, principalmente. Primeiro é a falta de consciência financeira de se gastar além do que se recebe. Em seguida está o excesso de mídia/marketing sob produtos e serviços. Por último está a oferta de crédito fácil. "Esses três fatores são cruciais para o desequilíbrio financeiro. O jovem é impulsivo e se entrega ao consumismo, sem ao menos saber se suas contas já estão no limite. O que completa esse ciclo são os cartões e cheque especial", explica Domingos.
[DSOP - Educação Financeira]

Eu etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
(...)
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
(...)
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
[Carlos Drummond de Andrade]

Observações
Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;
Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa;
Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração;
A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
Não deixe de dar um titulo à sua redação.
Confira as redações avaliadas a partir de 1 de março de 2013.
Elaboração da proposta
Sueli de Britto Salles
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação



Exemplo de uma redação ,com o tema acima, que foi mal redigida. Em seguida, os comentários dos avaliadores.

REDAÇÃO
Aluno:***
Idade:***
Colégio:***
Nota  3,5

Quando o consumo se torna um problema


Com o advento do capitalismo, a sociedade passou a ser consumista sem limites. De modo que não mais se consegue pensar em uma sociedade que não compre, não consuma ou não esteja interessada ao [no] que está ao seu redor. O consumismo [consumo] faz parte da vida natural de qualquer pessoa e também sujeita a quem [o indivíduo que] dele faça uso imoderadamente a um extremo problema: o consumismo inconsciente.

Basta pensar que uma pessoa não vive sem ir a um supermercado qualquer ou até mesmo para vestir-se é necessário [necessária] a prática do consumo, da pesquisa e demais atos. [de demais atos.] Hoje em dia, a mídia evidencia bastante aquilo que está na moda, abrangendo todos os públicos: crianças, jovens, adultos. Há quem afirme que em algumas situações isso passa a ser crítico, pois as pessoas antes de serem influenciadas pelo o que [que] está ao redor, devem ser capazes de enfatizar suas singularidades, gostos e personalidades próprias.

Assim, pode-se afirmar que o poder da moda, decorrente da indiscriminância do próprio consumidor acaba tornando um círculo vicioso e que inconscientemente, o limite é extrapolado sem ao menos que se tenha noção mais tarde do problema não só material, uma vez que existem pessoas que compram objetos supérfluos apenas para realização pessoal, e psicológico, tendo em vista a gravidade da situação, muitas vezes irreversível, na qual só a ajuda de um profissional para amenizar essa problemática. 

Portanto, a prática do consumo não necessariamente é questionada de modo negativo, porque a ideia é que se tenha uma consciência desde cedo para que isso não se torne um distúrbio mental. Assim como qualquer outra atividade, essa é uma prática de se dar exemplos. De [exemplos, de] pai para filho, ou da própria mídia aos telespectadores.

Se não fosse o grande entrave do capitalismo fomentar que a sua sobrevivência é o consumismo, talvez não teríamos [tivéssemos] esse desmembramento de tal assunto se tornar uma disfunção.


Comentário geral

O autor demonstrou dificuldade na construção dos argumentos, pois usou um vocabulário rebuscado que, em vez de ajudar, só prejudicou a clareza das ideias. Além disso, há sequências incoerentes ao longo dos parágrafos.

Aspectos pontuais

1) Primeiro parágrafo: a) o autor parece não diferenciar consumo e consumismo. Isso compromete a tese a ser defendida.

2) Segundo parágrafo: a) basta pensar nessas coisas para quê? O parágrafo deveria manter uma autonomia em relação ao anterior, mas, em vez disso, parece querer completar-lhe uma ideia, o que não fica claro; b) não fica claro a que pesquisas e atos o autor se refere. Trecho sem lógica, impreciso; c) ao expor a opinião alheia, o autor isenta-se de expor a sua, não deixando claro se concorda ou não com isso; d) a proposta deveria aparecer mais ao final do texto, após as análises gerais.

3) Terceiro parágrafo: há um aglomerado de ideias no parágrafo de frase única, o que comprometeu a clareza da análise. O autor perde-se em divagações apenas para falar sobre o consumo compulsivo que leva o indivíduo a necessitar de ajuda profissional.

4) Quarto parágrafo: trecho confuso: não se sabe por quem a prática do consumo deveria ser questionada (e não é, segundo o autor) ou por que esse questionamento deveria ser negativo. Aqui parece novamente haver um equívoco entre consumo e consumismo. Parágrafo solto, ineficiente.

5) Quinto parágrafo: conclusão sem lógica, com vocabulário impreciso e preciosista.

Competências avaliadas

1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,0
2. Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,0
3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 0,5
4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação. 0,5
5. Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 0,5
Total 3,5
Desempenho do aluno em cada competência

Nota 2,0 - Satisfatório Nota 0,5 - Fraco
Nota 1,5 - Bom Nota 0,0 - Insatisfatório
Nota 1,0 - Regular

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