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sexta-feira, 29 de março de 2013


1º Ano - Período literário: Trovadorismo

As cantigas trovadorescas


        

Tipos de Cantiga

Os trovadores cultivavam dois tipos de cantigas lírico-amorosas: a cantiga de amor e a cantiga de amigo. A cantiga de amor apresentava uma declaração amorosa de um homem para uma mulher; a cantiga de amigo consistia na declaração amorosa de uma mulher para um homem.
Ao lado das cantigas amorosas tinha-se um outro tipo de cantigas, as satíricas, subdivididas em cantigas de escárnio, onde a pessoa visada era ridicularizada, e as cantigas de maldizer, com o mesmo propósito.

A cantiga de amor

O cavalheiro se dirige à mulher amada como uma figura idealizada, distante. O poeta, na posição de fiel vassalo, se põe a serviço de sua senhora, dama da corte, tornando esse amor um objeto de sonho, distante, impossível. Mas nunca consegue conquistá-la, porque tem medo e também porque ela rejeita sua canção. 

EX:

"A dona que eu am'e tenho por Senhor
amostrade-me-a Deus, se vos en prazer for,
se non dade-me-a morte.
A que tenh'eu por lume d'estes olhos meus
e porque choran sempr(e) amostrade-me-a Deus,
se non dade-me-a morte.
Essa que Vós fezestes melhor parecer
de quantas sei, a Deus, fazede-me-a veer,
se non dade-me-a morte.
A Deus, que me-a fizestes mais amar,
mostrade-me-a algo possa con ela falar,
se non dade-me-a morte."



Identificamos as seguintes características de um cantiga de amor:

  • Eu lírico masculino
  • Assunto Principal: o sofrimento amoroso do eu-lírico perante uma mulher idealizada e distante.
  • Amor cortês; vassalagem amorosa.
  • Amor impossível.
  • Ambientação aristocrática das cortes.
  • Forte influência provençal.
  • Vassalagem amorosa "o eu lírico usa o pronome de tratamento "senhor".


A cantiga de amigo (namorado)


São cantigas de origem popular, com marcas evidentes da literatura oral (reiterações, paralelismo, refrão, estribilho), recursos esses próprios dos textos para serem cantados e que propiciam facilidade na memorização. Esses recursos são utilizados, ainda hoje, nas canções populares.

Ex:
"Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado!
ai Deus, e u é?"

Identificamos uma cantiga de amigo da seguinte forma:

  • Eu lírico feminino.
  • Presença de paralelismos.
  • Predomínio da musicalidade.
  • Assunto Principal: o lamento da moça cujo namorado partiu.
  • Amor natural e espontâneo.
  • Amor possível.
  • Ambientação popular rural ou urbana.
  • Influência da tradição oral ibérica.
  • Deus é o elemento mais importante do poema.
  • Pouca subjetividade.



    Cantigas de Escárnio e Maldizer

    Podem ser consideradas como painéis do cotidiano. Podiam ser escritas em prosa ou em verso e sempre "gozavam" de alguém: de uma pessoa decadente, de uma pessoa que passou por um problema amoroso, uma mulher namoradeira, os representantes do clero que acumulavam riquezas ou tinham amantes e todos os maus profissionais. Apresentavam uma linguagem pouco criativa e bastante descuidada, com palavras de duplo sentido, a ironia e a hipérbole, além de gírias e palavrões.
    As cantigas de escárnio traziam uma linguagem mais velada do que as cantigas de maldizer, que apresentavam uma sátira mais directa, sem nenhuma camuflagem. A diferença entre ambas, no entanto, nem sempre é muito clara.

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