A Hora do Poema; Oswald de Andrade
Publicado em 20 de julho de 2012 | por Gustavo Magnani
É considerado pelo crítica o mais inovador poeta do modernismo. Entre todos, o mais rebelde. Promotor da Semana de Arte Moderna de 1922, incentivou toda originalidade e rompimento possível para a época. Foi autor de dois importantíssimos manifestos do modernismo; Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o mais famoso: Manifesto Antropófago.
Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupi, or not tupi that is the question.
Como já disse, por ser o mais inovador e radical dos modernistas, influenciou, obviamente, grandes nomes da poesia [que com o tempo, seriam conhecidos até como maiores do que Oswald]: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto, Manoel Barros, e até o poeta francês Blaise Cendrars [está entre os 10 maiores poetas da França do séc XX]. Além de nomes, sua influência recaiu até em movimentos literários. O concretismo, podemos dizer, que é um filho de Oswald.
Como todos sabem, os modernistas buscavam uma cara pra cultura brasileira. Se Oswald foi o mais radical deles, certamente, buscava não só a cara, mas o corpo inteiro. Além disso, o poeta tratava sobre o povo, a cultura popular, a fala, o autoritarismo daquilo que chamamos de “cultura superior”. E é nessa mescla que trago 3 poemas de Oswald [todos muito curtinhos] que falam sobre os dois assuntos: tanto acerca do autoritarismo cultural, quanto do nacionalismo.
Esses três poemas de Oswald falam de algo bem atual. A linguagem falada. É preciso saber que a fala possui diferenças da escrita e que ela se transforma de acordo com a classe social, região, costumes, ambientes e tantas outras variantes. É notório que a grande parte da população não se deu conta disso e sai apontando dedo e discriminando logo que percebem um erro [estudantes da área condenam o uso do termo "erro", mas reitero que é apenas pra facilitar a compreensão da ideia. Afinal, o termo correto, segundo os mesmos, seria "inadequado"]. Oswald já sabia disso há quase 100 anos.
Imaginem, então, um poeta que defende o rompimento com praticamente tudo o que havia sido feito. Prega a transformação completa na poesia, promove um evento “escandaloso” para a época e, ainda por cima, defende a fala “errada”? Já vi pessoas acusarem Oswald de não incrementar complexidade na estrutura e composição do poema. Bem, posso estar errado, mas, acredito que esse era o objetivo. Na hora de falar de algo simples de maneira simples, pra que usar da complexidade? É alinhar conteúdo e forma num único objetivo.
Não vou adentrar tanto nos meandros gramaticais etc, pois há tempos escrevi um texto acerca do assunto que acredito demonstrar bem o que eu e vários outros estudiosos pensamos acerca do assunto: Por que (Não) Ensinar Gramática Na Escola?
Um último ponto que quero tratar é no primeiro poema “Vício na Fala”, o penúltimo e último verso dizem “Para telhado dizem teiado/ E vão fazendo telhados”. Aí eu pergunto, pra que uma suposta e falsa complexidade? A ideia é simples: eles podem até falar teiado, mas, no final da contas, não deixam de fazer telhados. Os telhados não são furados ou mal feitos apenas por causa da palavra “teiado”. E esse é o ponto em que o poeta bate. Tanto na hora de defender a fala, quanto na hora de falar do Brasil.
Espero que tenham gostado do A Hora Do Poema desta semana. Deixem seus comentários acerca da obra e de Oswald. Vale a pena a gente discutir sobre o poeta e suas ideias. E claro, não esqueça de curtir! O literatortura e o modernista, agradecem.
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